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Venezuela enfrenta crise humanitária e colapso na economia

Venezuela enfrenta crise humanitária e colapso na economia

Em questão de minutos, a venezuelana Alix Castillo, de 33 anos, viu o pouco que tinha desaparecer no fogo. Ela foi uma das vítimas da explosão de violência na cidade de Pacaraima, no dia 18 de agosto, quando centenas de moradores da cidade brasileira na fronteira com a Venezuela expulsaram imigrantes que acampavam nas ruas e atearam fogo em seus pertences após um assalto atribuído a venezuelanos e ainda sob investigação da polícia. Cerca de 1.200 retornaram ao país de origem após o incidente.

A minha barraca foi uma das que foram queimadas, perdi roupas e remédios, sobrou pouca coisa”, conta a engenheira de petróleo, natural da cidade de Maturín, que chegou ao Brasil há um mês e meio. “Senti muito medo e todos tivemos que sair correndo”, diz.

Junto com o marido Edgar Castillo optou passar dois dias do lado venezuelano da fronteira junto a funcionários da Guarda Nacional, sob o controle do Governo Nicolás Maduro. O casal conta que foi fortemente desencorajado pelos militares venezuelanos a retornar às terras brasileiras, mas se manteve firme com o plano de tentar uma nova vida longe da crise da Venezuela. “Eles repetiram várias vezes que no Brasil as pessoas não nos queriam, que não éramos bem-vindos. Como estávamos assustados, fizeram um terror psicológico e ainda mentiram dizendo que cerca de 30 pessoas tinham morrido em Pacaraima”, lembra Alix.

Para convencê-los a mudar de ideia também ofereceram transporte gratuito em um ônibus do Governo e uma caixa de comida de um programa local, segundo o casal. Estampadas com os rostos de Maduro e Chávez, a caixa é uma espécie de cesta básica e contêm arroz, massa, óleo, atum enlatado e outros bens básicos. “A situação está tão crítica no país que hoje em dia essa caixa chega às famílias a cada 3 meses. Mas não aceitamos. Atualmente é impossível se adaptar ao estilo de sobrevivência que se instaurou no meu país. Seguimos em frente”, diz a venezuelana.

De volta à Pacaraima, os dois se anotaram em uma lista de interessados a uma vaga em um dos nove abrigos de imigrantes na capital Boa Vista. “Pensei que não conseguiríamos, porque tinham preferência crianças, mães e idosos, mas na quinta-feira recebi a notícia que tínhamos sido aceitos. Saímos de lá em uma van fornecida pelo Exército brasileiro”, conta Alix, sentada em um colchão no Abrigo Rondon I, inaugurado em julho deste ano na capital de Roraima.

A seleção foi feita por equipes da agência ACNUR, a agência da ONU para refugiados, pelas Forças Armadas. O local com capacidade para 600 pessoas, que já estava completo, resolveu armar novas tendas para receber, nos últimos dias, cerca de cem venezuelanos que estavam vivendo em situação de vulnerabilidade em Pacaraima após os incidentes registrados. “Me sinto, finalmente, muito melhor. Estávamos muito assustados”, segue a venezuelana.

Roraima é o Estado menos populoso do Brasil, com população total de 522.000 habitantes, o equivalente a 0,3% do total do país. Segundo números oficias, 127 mil venezuelanos entraram no país pela cidade da fronteira — mais da metade decidiu não permanecer no país, mas outra parte está em solo brasileiro, provavelmente ainda em Roraima. Parece pouco se comparada à diáspora total venezuelana, que alcança 1,6 milhão de pessoas desde 2015, mas o bastante para mudar a paisagem do Estado. A presença de venezuelanos morando em calçadas, a pressão nos serviços públicos e o aumento da sensação de insegurança se somam ao uso da retórica anti-imigrantes em plena campanha eleitoral para formar um panorama instável e de difícil resolução no curto prazo.

A retórica do lado venezuelanos da fronteira

Enquanto isso, do outro lado da fronteira, o Governo de Nicolás Maduro assegura que os venezuelanos que abandonaram o país voltarão porque, agora, estão sendo colocados em prática planos para recuperar a economia — as medidas da última semana, com a desvalorização da moeda, já deram sinais de que não surtirão efeito.

Na sexta-feira, o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, além de convidar os venezuelanos a voltar, acusou brasileiros de Pacaraima de inventarem o assalto ao comerciante brasileiro, tido como estopim para os ataques. “Está plenamente demonstrado que não eram os venezuelanos que perpetraram o ataque contra o comerciante brasileiro”, disse Rodríguez, segundo a agência EFE.

(Extraído de El País)

Como temos ajudado os refugiados venezuelanos

Todos os dias nós oramos ao nosso Senhor pelo nosso país, e sonhamos que ele estenda sua mão de compaixão para nós.”
Marian – pastor venezuelano

Os parceiros da Tearfund estão ajudando refugiados no Brasil e na Colômbia, fornecendo alimento e apoio emocional. Também estamos incentivando igrejas em todas as nações vizinhas a promover a solidariedade, a compaixão e a defesa de direitos, uma vez que enfrentam a maior migração que a América Latina viu no século passado.

Loida Carriel, da equipe da América Latina e Caribe da Tearfund, diz: “Os refugiados não estão chegando à Colômbia, Brasil, Equador ou Peru por prazer ou turismo, mas por causa da crescente crise humanitária em seu país de origem. Mas somos encorajados pelo que vemos sendo feito por nossos parceiros, particularmente na igreja na Colômbia. No campo de refugiados de ‘Villa Caracas’ na Colômbia, aqueles que chegam se sentindo desesperançados e infelizes estão recebendo alimentos, segurança e apoio emocional ‘.

Por favor, orem conosco:

  • Na terça-feira (21 de agosto), um terremoto atingiu a Venezuela, aumentando os desafios que as pessoas estão enfrentando. Orem por aqueles que perderam lares e meios de subsistência.
  • Intercedam pelas pessoas que foram forçadas a fugir de suas casas na Venezuela – por sua paz e proteção, bem como pelo fornecimento de alimentos e remédios.

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