| | | 55 31 3568-1401

Uma sociedade justa

Uma sociedade justa

Uma vez tive uma conversa muito significativa com uma senhora palestina e perguntei qual era a sua opinião sobre os protestos e por que frequentemente vemos jovens jogando pedras nos postos de fiscalização montados por Israel. Sua resposta foi muito comovente. Ela disse que quando sua irmã havia entrado em trabalho de parto, ela e seu pai a estavam levando para o hospital. Ao passarem por um posto de fiscalização, foram barrados, apesar da condição da sua irmã. Sua irmã foi forçada a sair do carro, abrir as pernas e dar à luz ao seu bebê enquanto os soldados olhavam e riam dela. Ela também disse que seu pai idoso saiu do carro para tentar proteger a dignidade da sua filha, mas acabou apanhando. Em seguida, ela me perguntou: Se você vivesse em um ambiente como este todos os dias, seria uma surpresa jogar pedras?

Algum tempo depois, ao contar esta história para um grupo de pessoas, a primeira pergunta que me fizeram foi se eu sabia de qual grupo étnico ou religioso eram aqueles que passaram pelo posto de fiscalização.

Que pergunta estranha! Fazia alguma diferença?

Em outra ocasião, foi muito impactante ouvir algumas pessoas conversarem sobre uma jovem que havia sido estuprada quando saiu à noite para passear com os amigos. A conversa seguiu mais ou menos assim: “Ela estava pedindo para que aquilo acontecesse com ela, não estava? Ela não estava usando roupas justas e curtas?”

Que maneira tão revoltante de pensar! Mesmo se ela tivesse saído de casa completamente nua, isso teria dado o direito de alguém sequer pensar que a moça estava pedindo para que fosse estuprada? Não conheço nenhuma mulher que pede para ser estuprada.

Qual é a questão que está por trás destas histórias?

Preconceito? Achamos que um grupo é mais merecedor do que outro? Acreditamos que a justiça é para alguns e não para todos? Somos mais capazes de tolerar uma injustiça se a vítima for uma pessoa menos digna, de acordo com o olhar do mundo? Sobre qual questão você não consegue se manter em silêncio? O que o desperta à noite e o faz clamar pela justiça de Deus?

Em nossa próxima Consulta Global, vamos conversar sobre quais devem ser as características de uma sociedade justa para todos.

Porém, conversar sobre pobreza, injustiça e conflito não pode ser simplesmente um exercício acadêmico. É uma realidade vivida por muitas pessoas ao redor do mundo. A dor, o abuso, a privação e a exploração, que são desafios diários, e também a morte, não são simplesmente um incidente lamentável para as pessoas, mas sim uma farsa que requer obediência radical a um Deus que oferece justiça para todos. Isto significa que precisamos agir juntos, inspirados por Jesus, já que com resiliência ele se manteve concentrado na cruz.

Nunca foi uma questão de ele morrer para salvar pessoas que mereciam, ou que pertenciam a um determinado grupo étnico. Ele nunca achou que aqueles que sofriam haviam “pedido por aquilo”. Ele morreu por todos, pelo palestino e pelo judeu, pelo pobre e pelo rico, pela mulher e pelo homem, pelo gay e pelo hétero, pelo jovem e pelo idoso, pelo analfabeto e pelo instruído, pelo deficiente e pelo não deficiente, por todos os grupos étnicos, por todos os grupos linguísticos, pelo que crê e pelo que não crê. Não há dúvida de que estas realmente sejam boas novas e somos chamados a amar desta maneira, a defender a justiça para todos desta maneira e a receber a todos desta maneira.

Não vejo a hora de me aprofundar mais em como fazer isto de uma melhor maneira quando nos encontrarmos nas Filipinas no mês de setembro. Ainda dá tempo para inscrever-se na consulta. Visite o site www.micahgc2018.org e, caso tenha condições, por que não ajudar financeiramente aqueles que estão com dificuldades para conseguir o patrocínio de que necessitam? Por favor, entre em contato comigo caso queira patrocinar alguém, escrevendo para director@micahglobal.org.

Espero poder vê-lo por lá.

Sheryl Haw
Diretora Internacional de Miqueias 

(Extraído do boletim de notícias de Miqueias do mês de agosto de 2018)

Leave a Reply