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Tolerância Zero para a Mutilação Genital Feminina

Tolerância Zero para a Mutilação Genital Feminina

Por ocasião do Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina (MGF), lembrado na última segunda-feira (6), o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a prática “nega a mulheres e meninas sua dignidade e saúde”, causando dor e sofrimento que podem ser evitados. Para o chefe do organismo internacional, as consequências dessa “violação de direitos humanos hedionda” duram a vida toda e podem ser até mesmo fatais.

Segundo informações da ONU, esse tipo de intervenção sobre o corpo feminino ainda acontece em 30 países espalhados por três continentes. Estimativas indicam que 200 milhões de mulheres e meninas teriam sido vítimas dessa forma de mutilação.O dirigente máximo das Nações Unidas aproveitou a data para pedir aos Estados-membros que se comprometam a intensificar ações globais contra a violação. Apesar de a prática ter registrado uma queda significativa no mundo, a ONU aponta que as conquistas recentes podem ser perdidas conforme mais meninas nasçam em países onde a amputação continua a acontecer.

Em publicação na internet sobre o dia internacional, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, afirmou que “o corte e a sutura das partes íntimas de uma criança, de modo que ela fica substancialmente mutilada pelo resto de sua vida, sem qualquer sensação durante o sexo a não ser provavelmente a de dor, e podendo enfrentar novos ferimentos quando der à luz, constituem evidentemente uma violação terrível dos direitos daquela criança”.

A chefe da agência das Nações Unidas acrescentou que a prática “zomba da ideia de que qualquer parte possa ser verdadeiramente privada e ressalta o modo institucionalizado com que decisões sobre o corpo foram usurpadas daquela menina, uma entre cerca de 200 milhões atualmente”. Um relatório do secretário-geral sobre a mutilação genital feminina revelou recentemente que umas das principais razões pelas quais a prática continua a existir são o desejo pela aceitação social e o medo do estigma.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Fundo de População da ONU (UNFPA) também se pronunciaram nesta segunda-feira (6) e lembraram que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável reconhecem que a mutilação genital feminina está associada a desigualdades de gênero. Para o diretores-executivos do UNFPA e UNICEF, Babatunde Osotimehin e Anthony Lake, respectivamente, a mutilação “tira a autonomia das meninas e viola seus direitos humanos”. A prática, segundo eles, “reflete a posição social inferior das mulheres e meninas e reforça a desigualdade de gênero, alimentando ciclos intergeracionais de discriminação e vulnerabilidades”.

Até 2030, a amputação genital deverá ser erradicada, mas isso exigirá a ampliação dos serviços de apoio para as jovens que estão em risco e também para as mulheres que já sofreram vítimas desse tipo de intervenção. “Também significa estimular uma maior demanda por esses serviços, fornecendo às famílias e comunidades informação sobre os danos que a mutilação causa — e os benefícios trazidos pelo fim dela”, afirmaram os chefes das agências.

UNFPA e UNICEF lembraram ainda que, em 2016, mais de 2,9 mil comunidades declararam ter abolido a prática. Elas representam mais de 8,4 milhões de pessoas que vivem em países onde os dois organismos internacionais trabalham de forma conjunta. “Em 2017, devemos demandar ações mais rápidas que venham se somar a esse progresso, ou seja, governos devem ser convocados a aprovar e fortalecer leis e políticas que protejam os direitos de meninas e mulheres e previnam a mutilação genital feminina”, reforçaram os dirigentes.

(fonte: ONU)

Abaixo, leia trechos de uma entrevista sobre Mutilação Genital Feminina realizada com Sabine Nkusi, integrante da equipe de trabalho da Tearfund pelo fim da violência de gênero.

Qual é o papel da Tearfund em uma solução?
O ponto forte da Tearfund é trabalhar através da igreja local. Acreditamos que, para que haja alguma mudança real, precisamos envolver a liderança da igreja em torno da MGF. Estamos mobilizando e equipando os líderes da igreja para falarem e agirem. Nós fornecemos treinamento sobre as conseqüências da MGF e também engajamos a liderança através de estudos contextuais da Bíblia. Lembro-me de que em um desses treinos um pastor disse que “de fato, quando Deus nos criou, Ele olhou para a Sua criação e disse que era bom, então ninguém deve alterar o que Deus considerou bom”.

Por que é importante que a Tearfund faça esse trabalho?
Nós acreditamos que uma resposta forte da fé sobre esta questão é necessária e como uma organização baseada fé nós temos uma oportunidade real de contribuir para o fim desta prática nas comunidades onde nós trabalhamos.

O que você diria aos nossos apoiadores para incentivá-los a agir e / ou orar sobre esta questão?
Primeiramente eu gostaria de agradecer aos nossos maravilhosos apoiadores em nome das comunidades onde a Tearfund trabalha. Peçam a Deus que nos dê sabedoria como equipe, para que tudo o que fizermos seja para a Glória de Deus.

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