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Seminário promoveu debate sobre importância da assistência religiosa nos presídios

Seminário promoveu debate sobre importância da assistência religiosa nos presídios

No dia 02 de setembro aconteceu, em Contagem, MG, o seminário A Igreja e o Sistema Prisional. O evento foi realizado pelo Conselho de Pastores de Contagem (Conpac) em parceria com a Tearfund e com o Conselho da Comunidade de Contagem. O objetivo do seminário foi o de sensibilizar, capacitar e proporcionar a troca de experiências quanto a necessidade de uma assistência regiosa nos presídios que seja relevante e pertinente.

Há uma grande carência, mas também há uma falta de preparo. Então este seminário veio para preencher essa lacuna entre essa carência e a vontade de pessoas que querem fazer algo dentro do sistema prisional, mas não estão capacitadas”, pontuou o presidente do Conpac, pastor Cesar Sportelle.

Estiveram presentes mais de 60 pessoas de diferentes igrejas, muitas envolvidas na Assistência Religiosa nos presídios. Dentre os participantes estavam funcionários públicos que trabalham no sistema carcerário, um ex-diretor de presídio e funcionários do poder judiciário. A palavra de abertura ficou à cargo do pastor Cesar Sportelle, quetrouxe uma reflexão bíblica destacando o texto de Mateus 25: 31- 46, segundo o qual é imperativo cuidar dos presos e é tarefa da igreja não somente anunciar o evangelho, como usualmente é feito, mas envolver-se em todo o processo de restauração dos indivíduos. “A igreja precisa ocupar esse espaço, essa população também precisa ser alcançada pelo amor de Cristo, pela Graça do Evangelho. Não é uma questão só de fé, mas de humanidade. As pessoas precisam conhecer a Jesus. A motivação não é religiosa, mas bíblica. O grande desafio da igreja em nosso tempo é parar de ficar é relativizando a Palavra”, ressaltou.

Já o doutor e mestre em Ciência da Religião e autor do livro “5 motivos para se envolver com capelania prisional” Antonio Carlos da Rosa Silva Junior, discorreu sobre o papel da Igreja e forneceu um breve  panorama acerca da assistência religiosa nos presídios. Silva iniciou sua apresentação enfocando algumas razões para se fazer o serviço de Assistência Prisional, dentre os quais destacam-se: a solidariedade humana e o auxílio na mudança de comportamento a partir do valores do Reino.

A Bíblia traz valores como verdade, honestidade, perdão e respeito ao próximo que independem de salvação e de conversão. Nós podemos ir até o sistema prisional tão somente para ajudar as pessoas a mudarem o comportamento delas. Não necessariamente converte-las porque  isso é papel do Espírito Santo. Nossa obrigação é anunciar a Cristo e os valores do Reino”.

A fundadora da Associação Águia, Cally Magalhães, também atuante na Fundação CASA, em São Paulo, com grupos de adolescentes por meio de oficinas de psicodrama baseadas na Justiça Restaurativa, apresentou alguns resultados objetivos por meio do psicodrama. Cally destacou que ao ajudar o infrator a se colocar no lugar da vítima observa-se que a taxa de reincidência no crime é menor que 20%.

O juiz criminal da Comarca de Contagem, Wagner Cavalliere, descreveu o funcionamento do Sistema Prisional e salientou a importância da parceria com as Igrejas no processo de recuperação e superação, mas alertou que as igrejas poderiam fazer muito mais se realizassem um trabalho com as famílias e com os presos recuperados. Cavalliere também destacou o trabalho da Apac como modelo eficiente na recuperação de presidiários.

Judsonia Pereira dos Santos e Reinaldo Domingos Pereira, ambos servidores do Secretaria de Justiça de Minas Gerais e membros de Igrejas evangélicas, destacaram os avanços obtidos pelas  igrejas na Assistência Religiosa, mas apontaram a necessidade de melhorar a qualificação dos que fazem este tipo de serviço.

Por fim, os presentes decidiram realizar um segundo Seminário para aprofundar questões como a negligência do trabalho de assistência religiosa nos presídios femininos. Os participantes destacaram a qualidade, a amplitude, a profundidade e a excelência de conhecimentos e experiências acumuladas pelos preletores que foram capazes de trazer questões objetivas e práticas para melhorar a prática da assistência religiosa nos presídios.

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