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Razões para ficar

Postado no dia 11 de setembro de 2015 no blog da Tearfund

Razões para ficar, quem poderá enumerá-las?

Intisar já é uma refugiada que fugiu da Síria para a Jordânia. Agora ela quer arriscar tudo para fugir para a Europa com sua família. No texto abaixo você irá conhecer a história de Intisar e das mulheres jordanianas que querem dar-lhe uma razão para ficar.

Intisar tem apenas 26 anos, mas ela aparenta ser muito mais velha. “Nós não pagamos o aluguel por quatro meses, por isso o proprietário vai nos denunciar. Ele ainda quer aumentar o aluguel”. Os drenos estão quebrados e o esgoto transborda regularmente para o apartamento que a família não pode pagar. A jovem mãe de cinco vê seus filhos brincarem enquanto ela narra seus últimos meses na Síria.”Às vezes, quando meus filhos ouviam as bombas eles acordavam durante a noite e começavam a chorar e a gritar enquanto colocavam as mãos sobre os ouvidos.”

Ela se lembra de seu último dia vividamente. “Minha filha tinha caído e quebrado a perna, mas não podíamos levá-la ao médico porque não estávamos autorizados a fazer isso. Eles nos disseram que teríamos de evacuar a aldeia porque tudo seria destruído. A minha filha não podia andar e meu filho tinha três meses de idade, por isso eu tive que carregar os dois no colo enquanto caminhávamos uma distância muito longa”. Era tempo de inverno quando eles cruzaram a fronteira com a Jordânia. “Nós não tínhamos nenhum lugar para ficar, por isso dormimos no chão por cerca de uma semana. Nós não tínhamos nada,  então meu marido pegou três cobertores de nossos parentes para nos manter aquecidos.”

Dois anos e meio depois, a situação da família continua tão sombria quanto antes. Ela nos apresenta uma lista de desafios: o direito ao trabalho, a falta de acesso aos cuidados de saúde e educação – especialmente para sua filha autista – e maus-tratos dos vizinhos que não estão contentes com o afluxo de refugiados. “Tem sido muito difícil de se adaptar a viver aqui na Jordânia. Não podemos nos sentir confortáveis porque estamos ouvindo que somos um fardo para este país. “

Como qualquer mãe, ela teme pelo futuro dos filhos. “Às vezes eu apenas sento e começo a chorar, porque eu temo que eles continuarão vivendo como refugiados mesmo depois de adultos. Em casa nós poderíamos fornecer muitas coisas para as crianças, mas aqui nós não podemos. “Diante de tudo isso, a família finalmente está considerando fazer a perigosa viagem migratória para a Europa.”Eu sei que é arriscado, mas vale a pena. Eles respeitam os seres humanos lá”, explica Yusuf, marido de Instisar.

Que possível motivo poderia eu, ou qualquer outra pessoa, dar à ela para ficar?

Parceiros da igreja local da Tearfund estão fornecendo ajuda de várias formas, incluindo pacotes de apoio para as famílias recém-chegadas, escolas para as crianças refugiadas, assistência jurídica e dinheiro para o aluguel.Mas as necessidades vão além de qualquer ajuda física. Por isso, um grupo de mulheres jordanianas decidiu dar apoio moral para as mulheres sírias, enfatizando uma recepção calorosa e “primeiros socorros emocionais “.

No início de uma oficina de trauma com duração de três dia  as mulheres são recebidas sob uma salva de palmas. “Vocês conseguiram! Nós não as vemos como vítimas, mas como campeãs. Vocês são fortes, pois conseguiram manter suas famílias unidas em meio à guerra. Queremos recebê-las em nosso país e dizer-lhes que amamos vocês. Somos abençoados por tê-las aqui e queremos pedir perdão por qualquer coisa ruim pela qual vocês tenham passado aqui”.

Entre as sessões que explicam o ciclo de dor e ajudam as mulheres a explorar e afirmar suas lutas emocionais, são servidos café, biscoitos e um almoço quente em meio à uma conversa descontraída. As sessões oferecem conselhos práticos sobre uma série de questões de saúde da família. Mulheres com problemas graves podem ser acompanhadas com mais apoio.

“Eu me sinto mais relaxada”, diz Intisar depois de participar do grupo de apoio das mulheres jordanianas. Ela continua: “Isso me ajuda a lidar com os meus filhos, porque às vezes estamos com raiva e estressados e descontamos neles. Mas eles não são responsáveis por tudo o que estamos passando e não podem ser culpabilizados por isso. Antes, nós nos sentíamos como se não fôssemos nada, mas agora eu sinto que podemos fazer as coisas e fazer a mudança”.

Às vezes, tudo que é necessário é um impulso moral simples que pode fazer toda a diferença. Neste momento Intisar e sua família ainda querem fazer a viagem perigosa para a Europa. Mas com o apoio prático de uma igreja local que demonstra amor por eles e os encoraja, talvez ainda possamos  dar-lhes uma razão para ficar.

Ajude grupos do Oriente Médio que lidam com refugiados sírios e iraquianos por meio de apoio financeiro ao nosso Fundo de Apoio aos Refugiados.

 

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