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Por que Tamsin Greig ama Paradoxos?

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Por que Tamsin Greig ama Paradoxos?

A estrela do seriado “Green Wing”, Tamsin tem um amor especial por paradoxos. Ao visitar um dos nossos parceiros na Índia, encontrou um país marcado pela leveza e desespero, por palácios e pobreza. No interior da agitada metrópole Mumbai, ela descobriu as trevas da prostituição infantil – mas ela também experimentou a coragem das pessoas que estão determinadas a acabar com a prostituição infantil.

Eu realmente gosto de paradoxos. Eu gosto da palavra em si. Alguém, certa vez me explicou o significado da palavra. “É colocar junto duas palavras que são opostas entre si, e que naturalmente não estariam juntas”. Como na vida noturna de Birmingham. Eu já gostava de colecionar outros: Precisão nas estimativas, ética empresarial, programação das companhias aéreas, paciente ansioso. Romeo (de Shakespeare) também era um colecionador, seu doce sofrimento deve vir no topo da lista.

A vida na Índia é um balançar do pêndulo entre as diferenças. ”

A Índia é um país de contrastes e contradições extraordinárias, e meu tempo lá se tornou uma oportunidade infinita para criar paradoxos. Beleza dolorosa. Degradação colorida. Odor e fertilidade. Luxúria chocante. Morte delicada. Pobreza abundante. Silêncio ocupado. A vida na Índia é um balançar do pêndulo entre as diferenças.

DO PALÁCIO À CASA DE PUREZA

Eu estava na bela área de Rajasthan, ao noroeste da Índia, em um hotel de 7 estrelas (sete!). Um Palácio que foi transformado em hotel durante a filmagem do The Best Exotic Marigold Hotel. Em um raro dia, em que eu poderia ficar longe do set de filmagem, eu aproveitei a oportunidade para visitar um parceiro local da Tearfund, queria conhecer o outro lado da Índia.

Enquanto eu caminhava para o pequeno complexo, cercado com a visão e o cheiro de buganvílias, me disseram que o nome da Casa onde estávamos indo é  Nirmal Bhavan, que significa “Casa da Pureza”. Nessa casa, meninas e mulheres jovens que foram resgatadas do comércio do sexo podem viver e aprender novas habilidades para a vida. É um oásis em meio a metrópole descontroladamente movimentadas de Mumbai. Foi lá que outro paradoxo fortemente me impressionou. Um que não era bobo ou satírico, “Crianças Prostitutas”.

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VENDIDA AOS 10 ANOS DE IDADE

Anisha é uma tímida menina de 16 anos. Ela me contou que seus pais morreram quando ela ainda era criança. Por isso ela foi morando de casa em casa dos membros da família, até que um amigo da família prometeu-lhe um emprego. Antes de seu décimo aniversário, ela foi vendida a uma senhora, dona de um bordel. Ela foi forçada a dançar para um homem que frequentava o local. O homem que a  assistiu dançar pediu para ver Anisha, e a estuprou repetidamente. Se ela se recusasse era trancada em um pequeno armário.

Ela foi finalmente resgatada e trazida à Casa da Pureza, assim começou lenta jornada de recuperação e esperança – aprender novas habilidades, fazer amigos, esculpir uma nova vida para si que ela nunca pensou que teria. Ela é um exemplo vivo da esperança.

“Eu chorei muito aquele dia”

O dia após a minha visita a Nirmal Bhavan, a casa cheia de pureza, foi quando toda carga emocional pelo meu encontro com essas meninas me deixou muito triste. Eu chorei muito naquele dia.

Senti raiva porque a infância e humanidade daquelas meninas foram roubadas.  Senti o coração se partir em muitos pedaços. Elas começaram uma vida sexual forçada com a mesma idade que a minha tem agora. Eu me senti impotente em face do enorme problema da pobreza que obriga os pais a deixarem suas preciosas filhas terem esse destino.

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Mas a equipe e meninas da casa da Tearfund estão nadando contra esta maré de fúria e desespero. A coragem de fugir da escravidão, a tenacidade em manter-se vivo, a compaixão ilimitada pelo outro, a sua determinação em construir um futuro melhor mesmo em meio a desesperança … tudo isso tranquilizou-me, mesmo nesse momento mais tenebrosos. Sei que serão encontrados cores e luz nos lugares mais incomuns e pessoas inesperadas.

Minha experiência contraditória de palácios e pobreza na Índia me não deixou com um sentimento de confusão e desespero, mas de esperança. Devo procurar um novo paradoxo.

Aterrorizante esperança, talvez.

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