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"O trabalho de trazer mudanças que desatam as cordas da opressão exige tempo, comprometimento e coragem"

Trazer mudanças que desatam as cordas da opressão exige comprometimento e coragem

O Arcebispo Dom Hélder Pessoa Câmara é conhecido por dizer: “Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista”.

Eu descobri que isso é verdade. Podemos ser vistos como generosos, bondosos e caridosos quando oferecemos ajuda em situações de crise humanitária. Mas se falarmos sobre justiça e sobre como os sistemas podem oprimir e manter as pessoas na pobreza, a reação das pessoas pode ser de raiva, resistência e às vezes até repulsa. Eu já ouvi pessoas dizendo “não mistura esse assunto com política” ou “vamos nos ater a questões bíblicas”. Mas a verdade é que… estas são questões bíblicas – presentes na Bíblia do início ao fim.

Os seguidores de Jesus são chamados, ao longo das Escrituras, a amar e a servir aqueles que estão sofrendo, com misericórdia e bondade. Disso não há dúvidas. Mas a igreja geralmente para por aí. Nós também somos chamados para quebrar as estruturas e os sistemas de opressão – algo que dá muito mais trabalho e é muito menos popular. Isso me lembra de uma história bem conhecida no ramo de desenvolvimento comunitário sobre um povo de um vilarejo que vivia resgatando bebês de um rio, até que finalmente alguém sugeriu: “E se a gente subir o rio perguntar porque têm bebê caindo na água para início de conversa?”.

Isaías 58 nos mostra que somos chamados para fazer as duas coisas – resgatar, oferecer ajuda humanitária, algo que sempre será uma necessidade já que vivemos em um mundo caído, e também a transformar culturas, sistemas e estruturas que estão causando sofrimento, privação e opressão “rio à cima”. Isaías fala sobre soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo para libertar o oprimido, partilhar comida com o faminto, abrigar o desamparado, vestir o nu, e não recusar ajuda ao próximo. Para mim isso fala sobre a integridade da verdadeira transformação pela qual nós trabalhos e oramos. Oferecer ajuda para o sofrimento das pessoas e trabalhar para mudar os sistemas “rio acima” que mantém as pessoas em vulnerabilidade.

O trabalho árduo de trazer mudanças sistêmicas que literalmente desatam as cordas da opressão exige tempo, comprometimento e coragem; e talvez não seja algo tão prazeroso ou óbvio quanto a ajuda beneficente e humanitária; porém é nosso mandato, enquanto Igreja, liderar através do exemplo e mostrar um novo jeito de agir.

O verdadeiro Shalom, a paz pela oramos e trabalhamos e confiamos, requer humildade, lamentação e comprometimento com a justiça. Neste mês, oremos pedindo a Deus que nos revele mais do Seu coração em relação aos sistemas e instituições, e que possamos ouvir o clamor daqueles que estão sendo oprimidos e perseguidos e explorados. Que possamos ler a Bíblia junto com as pessoas com as quais geralmente não lemos a Bíblia e, desse modo, expandir o nosso entendimento das Escrituras e do coração de Deus. Que possamos nos levantar em prol dos marginalizados e oprimidos, quer sejamos nós os impactados pela injustiça ou não. Que possamos nadar rio a cima contra a corrente da cultura popular e dos sistemas aceitos para encontrar um novo caminho. Que possamos nos comprometer com o trabalho árduo de nadar rio assim para enxergar quais sistemas precisam ser renovados, substituídos e redimidos. Vamos orar pedindo a Deus por imaginação e por sonhos do reino de Deus vindo à terra.
Oremos …

Linda Martindale
Miqueias Global

(Extraído do boletim de oração de Miqueias do mês de agosto de 2019)

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