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O medo do fracasso

O medo do fracasso

O torneio de rugby Seis Nações terminou a pouco tempo no Reino Unido. Eu sou uma daquelas espectadoras engajadas que fazem críticas sobre os lances dos jogadores e as decisões dos árbitros. É óbvio que no conforto da minha poltrona eu acho que tenho ótimos conselhos.

Em relação à crise política no Reino Unido a respeito do Brexit – eu também poderia fazer uma análise detalhada das medidas que eu tomaria. É óbvio que no conforto da minha poltrona eu sinto que posso fazer melhor do que eles! No início de minha caminhada com Cristo eu lembro de ler a respeito do relato angustiante da negação de Pedro em Mateus 26:69-75. Eu fiquei chocada – como pôde alguém que literalmente andou com Jesus, testemunhou seus milagres e dialogou com ele, negá-lo? É óbvio que no conforto da minha poltrona eu me sentia invencível e inabalável na minha convicção de manter a verdade.

Nós vimos Pedro se levantar corajosamente na escuridão do Jardim do Getsêmani, mas depois ele se acovardou diante do fogo no pátio do lugar onde Jesus estava detido antes de sua crucificação. Pedro era fisicamente forte, capaz de puxar um carregamento de peixes sozinho, mas vimos ele completamente intimidado por algumas perguntas de uma menina serva. Nós o vimos discernindo que Jesus era o Messias, e Jesus o afirmando e declarando que usaria Pedro poderosamente (Mt 16), mas agora nós o vemos mergulhado em medo e vergonha. Pedro, a pedra, agora parecia Pedro, o fraco – ele havia falhado – uma surpresa para os outros e ainda maior surpresa para ele mesmo.

O Fracasso, os erros e as perdas são uma realidade para todos nós quando saímos de nossas zonas de conforto (nossas poltronas) e tentamos fazer uma diferença. Do Gênesis até o Apocalipse nós lemos sobre os heróis da fé, o povo de Deus, falhando. Nós podemos focar nas falhas de Pedro, mas a verdade é que, com a exceção de João, todos os outros discípulos já tinham fugido.

Quanto mais velho ficamos mais percebemos que nós todos falhamos, nós todoscometemos erros, nós todos sofremos perdas. Os fracassos daqueles na linha da frente da vida parecem tão chocantes e decepcionantes. Assim como a história de Pedro, temos a tendência de focar naqueles que estão nos olhos do público. Por que ficamos tão surpresos quando eles falham? Talvez porque temos a tendência de vestir uma máscara de vida Cristã bem-sucedida, escondendo qualquer fraqueza e fracasso uns dos outros, e quando as evidências vêm à tona, nós nos desesperamos.

Jesus não estava surpreso pela falha de Pedro. Ele sabia que aquilo ia acontecer, apesar de entristecido, ele não estava indignado. E mais do que isso, ele está pronto para restaurar Pedro e recomissioná-lo. Pedro achava que podia fazer tudo com sua própria força – mas aprendeu que ele precisava confiar em Jesus.

É arriscado sair de nossa poltrona; podemos falhar. Porém, a nossa segurança é que Jesus estará lá para nos levantar. E ele também vai perguntar para nós – “Você me ama mais do que estes?” (i.e. reputação, sucesso e status, pertences, etc). Eu oro para que nossa resposta sempre seja: Sim, Senhor – nós te amamos!

Sheryl Haw
Diretora Internacional

(Extraído do boletim de oração de Miqueias do mês de abril de 2018)

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