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O diário de uma adolescente refugiada

Postado por Stella Chetham no dia 22.06.15 no blog da Tearfund

O diário de uma adolescente refugiada

Amira é uma adolescente comum de 16 anos que cultiva os interesses típicos dessa idade: música popular, garotos e seu celular. Mas juntamente com 30 milhões de crianças e jovens em torno do mundo, ela é uma refugiada. Amira vive em um acampamento com sua família após terem fugido da guerra civil na Síria. Esta é a sua história, contada com suas próprias palavras.

Uma noite as bombas foram chegando cada vez mais perto. Estávamos todos sentados juntos no térreo, pois não podíamos dormir. Como em nossa aldeia as casas estavam sendo destruídas uma por uma, os vizinhos estavam correndo de uma casa para a próxima. Assim, alguns vizinhos se reuniram em nossa casa também.

Um foguete caiu no nosso telhado, mas ninguém ficou ferido. Corremos com medo para outra casa. Estávamos tão apavorados que nem sequer pensamos em levar alguma coisa conosco. Logo depois, nossa casa foi totalmente destruída. Saímos sem documento de identidade.

Nosso pai nos levou para fora do país através de um contrabandista. Fugimos naquela mesma noite em um carro alugado. Sempre que passávamos por um posto de controle, nos escondíamos debaixo dos assentos do carro e o motorista nos cobria.

Atravessamos a fronteira ilegalmente através das montanhas. Saímos perto da fronteira e tivemos que caminhar cerca de 100 metros do outro lado da montanha. Ao ouvirmos um avião, começávamos a correr. Estávamos muito assustados!

O acampamento – vida em suspenso

Quando chegamos ao campo de refugiados já havia muitas barracas. Compramos alguns materiais para fazer uma também – um pouco de madeira e folhas de plástico. Os homens construíram. Nossa barraca tem dois quartos e uma área de cozinha. Existem 13 de nós vivendo aqui.

Os vizinhos nos ajudaram, dando-nos coisas como garrafas de água, colchões, cobertores, copos e pratos. Poderíamos recolher nossos pertences e sair a qualquer momento, já que não temos nada de valor aqui. Minhas coisas mais preciosas são os meus colares. Eu gosto de usar todos ao mesmo tempo porque eles têm muitas memórias. Um deles foi-me dado por um namorado, mas eu não quero que minha mãe saiba disso!

Temos tantas necessidades que não é possível contá-las. Em casa as coisas eram baratas. Tudo é caro aqui. Nós ainda temos que pagar pela água. No inverno havia neve no meio do caminho até os lados de nossa barraca e nós não podíamos nem mesmo enxergar o lado de fora. Em casa nós tínhamos os nossos próprios quartos, mas aqui todos dormimos juntos no chão.

Não podemos ir para a escola aqui, e não há empregos disponíveis, pois muitas pessoas estão à procura de trabalho. Nós nem sequer temos livros. Então, nós apenas ajudamos na cozinha, limpamos, ou assistimos TV o dia todo. Estamos realmente entediados.

Para passar o tempo, fazemos o cabelo tiramos fotos uns dos outros, ou ouvimos músicas populares na TV. Nós também fazemos nossas próprias roupas.

Temos medo porque o governo não sabe que estamos aqui. Se eles descobrirem nós poderíamos ser enviados de volta para a Síria. Mas a ONU nos protege.

Algumas das pessoas que não estão registradas vão para as montanhas e se escondem sempre que os funcionários vêm para contar as pessoas no acampamento. Em seguida, elas voltam para o acampamento.

Nós estamos aqui há três anos. Sentimos saudades de casa o tempo todo. Gostaríamos muito de voltar!

Saudades de casa

Temos notícias de casa na maior parte via WhatsApp e, por vezes TV. Apenas algumas pessoas que conhecíamos ainda estão vivendo em nossa aldeia. Há alguns quartos ainda em pé nas casas destruídas, e é neles que nossos antigos vizinhos vivem.

Temos que pagar pela água trazida por um caminhão, mas é muito suja. Mas agora temos um filtro de água em nossa barraca. Temos também uma latrina que foi instalada por uma ONG. Nós recebemos as distribuições de alimentos, por isso temos comida suficiente. Tornamos grandes quantidades em refeições simples que podemos partilhar com facilidade entre todas as crianças, como arroz, feijão e ervilhas. Há lojas, cabeleireiros e alfaiates aqui.

Isso nos ajuda a saber que não estamos sós, pois há muitos outros na mesma situação que nós. Nós estamos aqui há três anos. Sentimos saudades de casa o tempo todo. Gostaríamos muito de voltar!

A Tearfund está dando apoio aos refugiados como Amira através de nossos parceiros que trabalham no Líbano e na Jordânia. Eles fornecem alimentos, ajudam com abrigo, roupas, fogões e produtos de higiene. Você pode ser uma parte do financiamento deste trabalho essencial! Saiba mais clicando em: tearfund.org/Syria.

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