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Missão Integral e Política

Missão Integral e Política

O significado original da palavra “política” tem a ver com o processo de tomar decisões que causam impacto a um grupo de pessoas. A política pode ser descrita como a arte ou ciência da governança. Uma parte central dessa governança se relaciona ao uso de recursos para o bem comum do grupo como um todo. Inclui as inter-relações existentes nesse grupo, bem como os relacionamentos entre outros grupos de pessoas.

Demonstrar a missão integral em nossas comunidades, possibilitando o florescimento de todos e de tudo (humanidade e criação), tem a ver com o processo de tomada de boas decisões que demonstrem o Reino e a intenção de Deus para todos e para tudo. Ansiamos por uma sociedade justa, mas como podemos alcança-la?

Por um lado, podemos supor que sabemos mais e adotamos leis e controles que reforçam o que pensamos ser correto. Confiar que as pessoas tomem boas decisões pode ser algo difícil e demorado e, por esse motivo, liderar sem consultar as pessoas pode parecer uma opção mais fácil.

Por outro lado, podemos achar que a decisão de conceder total liberdade para que as pessoas escolham viver como queiram, esperando que façam escolhas sábias, é uma forma mais liberal de governar. A história poderá nos mostrar o contrário, já que vivemos em um mundo destituído, onde as pessoas nem sempre tomam boas decisões. Sabemos que Deus nos deixou leis para que todos possamos ter uma vida melhor.

A democracia tinha a intenção de trazer uma abordagem equilibrada à governança. Ela inclui debate, discussão, consulta e persuasão por meio da argumentação, da investigação e da reflexão. Em outras palavras, ela tem a intenção de ser o processo de tomada de decisões.

Para que a tomada de decisões seja genuinamente democrática, há alguns princípios que precisam ser observados:

  1. As decisões são tomadas conjuntamente, por todos

Isso é difícil de ser alcançado. Pense em como as decisões são tomadas em sua própria comunidade, igreja, local de trabalho, nação e até mesmo em sua família. Temos a tendência de optar pela meritocracia (entregando o poder de decisão àqueles que consideramos mais qualificados) ou pela autocracia (entregando o poder de decisão a uma determinada pessoa).

  1. As decisões são tomadas seguindo um processo de comunicação, discussão, reflexão, investigação e debate

Em outras palavras, as pessoas são bem informadas e têm condições de discutir as questões antes de tomar decisões, tendo sido suficientemente informadas. Existe aqui um verdadeiro perigo na democracia, uma vez que a persuasão e a influência podem ser controladas (por exemplo, pelos meios de comunicação, pela propaganda ou pela corrupção) e também porque a transparência e a abertura para debate podem ser limitadas ou restritas.

  1. As decisões são fundamentadas na preocupação genuína de atender às necessidades de todos

A tomada de decisões pode frequentemente ser influenciada pela seguinte premissa que, muitas vezes, não é óbvia: “o que é melhor para mim, para a minha família, para a minha igreja, para o meu partido político, para a minha comunidade, para o meu grupo étnico ou para a minha nação”. Embora se entenda a necessidade de proteger os interesses próprios, o espírito da democracia se baseia no bem comum de todos.

Há, é claro, perigos na democracia, já que grupos minoritários podem ser negligenciados, desconsiderados ou deliberadamente marginalizados.

Igreja e política
Refletir sobre estes três atributos da democracia nos ajuda a compreender como as igrejas podem se envolver com questões públicas. A importância de reformular a história nas Boas Novas de Deus é algo crucial. Fazemos isso conscientizando as pessoas sobre o incrível amor de Deus e sobre Seus propósitos para toda a criação. Também podemos nos envolver em debates e discussões para que possamos alcançar uma boa governança para todos e termos os interesses de todos como motivação principal nos processos de tomada de decisões, em vez de adotarmos uma posição egocêntrica!

Você consegue imaginar como será a nossa sociedade quando nós, embaixadores de Cristo, nos envolvermos dessa maneira em nossa comunidade e país? Ou quando nos envolvermos dessa maneira com a nossa igreja e a nossa família?

Senhor, perdoa-nos pela nossa indiferença e também pela nossa apatia e falta de envolvimento nos processos de tomada de decisões. Senhor, ajuda-nos a discernir a verdade e a sermos sábios quando compartilhamos informações e, assim, possamos ser exemplos de integridade, assumindo uma posição não partidária para o bem de todos e, com ousadia, declararmos as Boas Novas como sendo o que verdadeiramente tem o poder de transformar a todos e a tudo.

Sheryl Haw
Diretora Internacional

(Extraído do boletim de notícias Miqueias de janeiro de 2019)

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