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Masculinidade Transformadora: uma nova perspectiva sobre a violência de gênero

Masculinidade Transformadora: uma nova perspectiva sobre a violência de gênero

– O Brasil registrou 1 estupro a cada 11 minutos em 2015. São os Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, os mais utilizados sobre o tema. Levantamentos regionais feitos por outros órgãos têm maior ou menor variação em relação a isso.

– As estimativas variam, mas em geral calcula-se que estes sejam apenas 10% do total dos casos que realmente acontecem. Ou seja, o Brasil pode ter a medieval taxa de quase meio milhão de estupros a cada ano.

– Cerca de 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes. Quem mais comete o crime são homens próximos às vítimas. (Fonte: Ipea, com base em dados de 2011 do Sistema de Informações de Agravo de Notificação do Ministério da Saúde)

– Há, em média 10 estupros coletivos notificados todos os dias no sistema de saúde do país. (Dados do Ministério da Saúde de 2016, obtidos pela Folha de S. Paulo). 30% dos municípios não fornecem estes dados ao Ministério. Ou seja, esse número ainda não representa a totalidade.

– Somente 15,7% dos acusados por estupro foram presos (Dados do estado de São Paulo obtidos pelo G1, referentes aos meses de janeiro a julho de 2017)

– O mesmo levantamento apontou que na cidade de São Paulo há 1 estupro em local público a cada 11 horas.

– No estado do Rio de Janeiro, há um caso de estupro em escola a cada cinco dias e 62% das vítimas tinham menos de 12 anos. (Dados do Instituto de Segurança Pública obtidos pelo EXTRA e referentes a Janeiro/2016 a Abril/2017. Nota-se aqui que não há distinção entre os níveis de ensino e que há meninos vítimas de violência sexual)

(Fonte: Coluna Nana Soares, Estadão, texto publicado no dia 7/10/2017)

Em busca da igualdade de gênero

“Tenho visto muitos treinamentos e capacitações sobre gênero, mas nenhum que aborde o homem  sob um olhar preventivo. O homem tem sido o principal causador das violações contra as mulheres, mas ele é apenas acionado quando o ato já ocorreu”, ressalta Evandro Alves, da Igreja Batista de Coqueiral.

Promover modelos positivos do que significa ser homem ou mulher, modelos para a liderança, para a restauração de relacionamentos e para a promoção da igualdade de gênero em todas as esferas de nossa sociedade. Esses são alguns dos objetivos que o Seminário Masculinidades Transformadoras pretende alcançar. Neste ano, o Seminário aconteceu em Recife entre os dias 07 a 11 de maio e foi ministrado por  Prabu Deepan. Estiveram presentes 22 participantes oriundos de várias partes do Brasil e de outros países sul-americanos como Colômbia, Haiti e Honduras.

“Vivemos em uma sociedade patriarcal, onde o homem pode tudo e a mulher não pode quase nada. Vencer esse desequilíbrio é desconstruir esse paradigma. Nós, como cristãos, temos o exemplo do homem Jesus, que viveu em uma sociedade profundamente marcada por injustiças de gênero, mas soube supera-las inaugurando um novo modelo nas relações homem/mulher”, Ressalta Evandro. Após participar do evento pelo segundo ano consecutivo ele enfatiza sua mudança de perspectiva acerca de seu papel como homem em uma sociedade marcada pela violência de gênero. “O treinamento trouxe um novo olhar para mim como homem cristão”.

Normas culturais

A violência sexual e de gênero não acomete somente mulheres. Por isso, a abordagem contextualizada Transformando Masculinidades tem como foco as normas culturais, a teologia e as crenças que promovem conceitos de masculinidade prejudiciais que perpetuam o machismo e a violência.  O objetivo que se pretende alcançar por meio desta abordagem transformadora do gênero é ver homens e meninos em uma jornada de transformação que os leve a viver e a promover um estilo de vida de masculinidades positivas e de igualdade de gênero, rompendo com visões de mundo legitimadoras de qualquer tipo de violência.

“Diante da nossa realidade no Sertão paraibano, em que a cultura machista é muito acirrada, é primordial sensibilizar pastores e líderes quanto à justiça de gênero, com respaldo Bíblico”, enfatiza Marah Danielle, da Ação Evangélica de Patos (PB). Marah acredita que uma exegese cuidadosa das Escrituras acerca do tema poderá gerar um modelo transformador de relacionamento entre homens e mulheres em que se preze a dignidade de ambos.

Desejamos ver tanto os homens como as mulheres vivendo com dignidade, sendo igualmente valorizados e capazes de viver livres da violência e do abuso. Esperamos ver mais homens e meninos envolvidos como aliados no trabalho de prevenção à violência contra as mulheres e meninas, servindo como exemplos e motivando outros a fazer o mesmo. Clique aqui para acessar nosso Guia  Transformando Masculinidades.

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