| | | 55 31 3568-1401

Iêmen - Uma tragédia invisível

Iêmen – Uma tragédia invisível

Imerso há quase dois anos em um grave conflito, o Iêmen vive uma situação catastrófica marcada por bombardeios diários, mortes de civis e crise de fome e desnutrição

Retalhado entre grupos opostos e facções terroristas, alvo de bombardeios aéreos constantes, com a economia em frangalhos, hospitais destruídos e uma crise de fome e desnutrição que está matando suas crianças, o Iêmen agoniza, mas pouca gente vê. Apesar de a situação humanitária no país da Península Arábica ser uma das mais severas do mundo, a guerra, que já dura há um ano e meio, tem pouca visibilidade. Segundo a ONU, já são mais de 6,6 mil mortos desde o início do conflito – 3,8 mil deles eram civis, e 6,7 mil ficaram feridos. Ao menos 620 crianças morreram e 758 foram mutiladas desde meados de 2015, afirma a organização.

Em um relatório publicado em Genebra, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos denunciou recentemente os ataques contra mercados e instalações médicas e escolares, o uso de minas terrestres e de bombas de fragmentação e o recrutamento de crianças para transformá-las em soldados. Quase toda a população do Iêmen necessita atualmente de assistência humanitária, em decorrência de um conflito que, embora esteja a cada dia pior, ainda passa desapercebido pelo resto do mundo. À medida em que os combates entre o governo do Iêmen e os rebeldes Houthi se agravam, milhares de civis estão morrendo e uma população antes já vulnerável se encontra agora em grave instabilidade. As pessoas não têm acesso a mantimentos básicos como comida e água, e muitas crianças estão fora da escola. Enquanto lutam para lidar com a crescente crise, os serviços de saúde relatam centenas de ferimentos e mortes todos os dias.

O Iêmen, que já era um dos países mais pobres do mundo, viu sua economia entrar em colapso ainda maior com o surgimento da guerra. A produção e exportação de gás e petróleo – principal motor da economia – parou, e o desemprego e a inflação cresceram. As reservas do banco central estão precariamente baixas por causa dos gastos com a guerra. De acordo com um relatório do Banco Mundial divulgado pela Reuters, o custo da destruição da infraestrutura do Iêmen e as perdas econômicas superam os US$ 14 bilhões até agora.

Altamente dependente de importações de alimentos, o Iêmen sofre com um quadro de fome e desnutrição há décadas. Mesmo antes da escalada de violência, o país tinha milhões de pessoas famintas e um dos maiores níveis de desnutrição no mundo.Segundo o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, ao menos 7,6 milhões de pessoas, incluindo 3 milhões de mulheres e crianças, sofrem de desnutrição e falta de água potável. De acordo com a Unicef, 192 centros de tratamentos de má nutrição pararam de funcionar por causa do conflito.

Além do bloqueio à entrada de alimentos importados, a destruição de rotas de comércio e fazendas por ambas as partes em luta criou uma escassez de produtos no mercado e levou os alimentos básicos a serem vendidos a preços exorbitantes. A ajuda humanitária também encontra grande dificuldade para chegar, devido ao alto preço dos combustíveis, aos bombardeios aéreos e à violência em terra.

Segundo um relatório da ONG Oxfam, moradores de uma das cidades que estão na linha de frente da guerra disseram que não havia vegetais nem fórmulas infantis no mercado e que em algumas áreas o preço dos alimentos aumentou 200%. “Em fevereiro [de 2016], quando perguntamos aos moradores da cidade de Taiz se eles tinham alguma preocupação de segurança na hora de comprar comida, a lista era longa: disparos de atiradores, bombardeios, batalhas repentinas, assédio nos postos de controle, abuso físico e verbal, insultos e humilhações”, diz o documento.

Muitos disseram que comem apenas uma refeição por dia para deixar comida para seus filhos. Alguns afirmaram que ficam sem comer por 36 horas seguidas nos momentos mais intensos do conflito”, prossegue o relatório.

De acordo com a ONU, mais de 600 unidades médicas pararam de funcionar no Iêmen por terem sofrido danos ou por falta de pessoal e suprimentos, o que afetou o acesso à saúde de milhões de pessoas. O país está à beira da fome severa, e as autoridades sanitárias confirmaram um perigoso surto cólera.Sem dar sinais de que o conflito está chegando ao fim, o Iêmen precisa urgentemente de nossas orações.

Por favor, ore:

  • Pela paz: peça a Deus para que a luta entre os grupos políticos se encerre. Ore pelo fim dos ataques aéreos que estão destruindo as casas e as vidas das pessoas;
  • Interceda pelos milhões de pessoas que vivem em áreas que são muito perigosas para receber qualquer tipo de ajuda. Ore para que eles tenham recursos e capacidade de moverem-se para fora das zonas de conflitos imediatos;
  • Clame por todas as as pessoas afetadas pelo conflito: os feridos e aqueles cujos familiares, casas e meio de subsistência foram perdidos. Peça a Deus que dê a essas pessoas renovo em face a tamanho sofrimento.

(fonte: reportagem especial G1 – Iêmen: a guerra esquecida; boletim de oração Tearfund UK/ Foto: Khaled Abdullah/Reuters)

Leave a Reply