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Desmatamento na Floresta Amazônica cresceu 30% em 2016

Desmatamento na Floresta Amazônica cresceu 30% em 2016

Há uma combinação de fatores por trás desse crescimento do desmatamento na Amazônia: a exploração ilegal de madeira, o corte de árvores para formação de pasto e, segundo os especialistas, a falta de investimentos para fiscalizar e combater com eficiência o preocupante avanço ilegal das motosserras.

No acordo de Paris, no ano passado, o Brasil prometeu zerar o desmatamento na Amazônia até 2030 e recuperar doze milhões de hectares de floresta para conter o aquecimento global. Mas, nesse ritmo, será impossível cumprir o compromisso.

O Ministério do Meio Ambiente afirmou, por nota, que pretende cumprir a meta estabelecida sobre mudança do clima até 2020, reduzindo o desmatamento com o plano de prevenção e controle do desmatamento ilegal. Já o Ibama, informou, por nota, que dispõe de mil fiscais e reconheceu que o número é insuficiente para cobrir toda a Amazônia que tem cinco milhões de quilômetros quadrados.

(Fonte: Jornal Hoje)

″Desmatamento zero já é insuficiente na Amazônia″

Durante séculos a floresta amazônica sobreviveu às intempéries da natureza. Este é um lugar único e insubstituível para o planeta. Diariamente, as árvores da região trabalham num sistema invisível para a manutenção do clima. Todavia, este importantíssimo serviço ambiental que a floresta nos presta continuamente está sendo negligenciado. A motossera e o fogo se tornaram os principais inimigos da mata. Cálculos indicam que cerca de 42 bilhões de árvores foram destruídas nas últimas quatro décadas.

“O desmatamento da Amazônia levará a um clima inóspito na região”, afirma o pesquisador Antonio Donato Nobre. “Essa procrastinação (para acabar com o desmatamento) é criminosa!”

O cientista do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) foi responsável por elaborar o relatório “O Futuro Climático da Amazônia“*, a pedido da organização Articulación Regional Amazónica (ARA). Os resultados do estudo foram apresentados em outubro de 2014.

Para preparar o documento, Nobre analisou 200 artigos e estudos científicos sobre o papel da Floresta Amazônica no sistema climático, na regulação das chuvas e nos serviços ambientais prestados pelo bioma para aquela e outras regiões do Brasil. “Fiquei assombrado com as mudanças climáticas que já estão ocorrendo”, revelou o pesquisador.

A intenção da ARA foi fazer um relatório com linguagem para leigos e não para acadêmicos. A organização acredita que a sociedade precisa ser informada sobre o que está acontecendo. “A ciência precisa ser utilizada por todos”, diz Nobre. “Estamos quebrando a bomba biótica da Amazônia* (sistema pelo qual as árvores da floresta injetam água no ar e garantem chuva na América do Sul) e acabando com esta usina de serviços ambientais com o desmatamento”. (Leia entrevista do cientista sobre Os rios suspensos da Amazônia)

Antonio Nobre começa o estudo mostrando alguns segredos que garantem que a floresta gere o que ele chama de “clima amigo“. Entre outros serviços, as árvores mantêm úmido o ar em movimento, o que leva chuvas para as regiões interiores do continente, mesmo distantes milhares de quilômetros do oceano. As árvores são o que ele considera os gêisers de madeira da Amazônia. E esta umidade é levada para outras regiões do Brasil e da América do Sul através dos rios voadores. “Os rios aéreos levam a água doce por artérias suspensas”, explica.

“O Futuro Climático da Amazônia” apresenta alguns dados impressionantes. Uma árvore grande pode evaporar mais de 1 mil litros de água por dia. Estima-se que a floresta toda – 5,5 milhões de km2 – libere no ar nada menos que 20 trilhões de litros de água diariamente. Para se ter ideia da grandiosidade deste número, o Rio Amazonas despeja no Oceano Atlântico algo em torno de 17 trilhões de água.

Mas com as árvores no chão, esta água toda sumirá. O relatório comprova que a extensão do desmatamento na Amazônia brasileira na última década equivale ao território inteiro da Costa Rica, algo em torno de 50 mil km2. Segundo Nobre, os números que apontam para a queda do desmatamento são um grande efeito de ilusionismo. O que deve ser levado em conta é o acumulado e não a taxa anual.

“Em 40 anos, até 2013, foram desmatados a corte raso 762 mil km2 de floresta – isto é o mesmo que três estados de São Paulo e duas Alemanhas”.

A situação é muito grave. Não só para a regulação do clima, mas também para a biodiversidade da floresta que está sendo exterminada pelo fogo. “Estamos cremando todas nossas riquezas vivas”, lamenta o cientista. “E estamos secando as nuvens”. A recomendação do relatório é clara: será necessário um esforço de guerra para reverter este cenário alarmante. A publicação elenca cinco passos para recuperar a Floresta Amazônica e não permitir que a vegetação brasileira se transforme em uma savana:

1. Popularizar a ciência da floresta: saber é poder;
2. Desmatamento zero para anteontem;
3. Abolir fogo, fumaça e fuligem;
4. Recuperar o passivo do desmatamento e;
5. Governantes e sociedade precisam despertar: choque de realidade.

A principal conclusão a que chega a publicação é que desmatamento zero não é mais suficiente. Para Nobre, a Amazônia já mostra sinais de pane. “A única saída é replantar a floresta“, diz.

Leia o relatório completo:
O futuro climático da Amazônia

fonte: Planeta Sustentável

 

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