| | | 55 31 3568-1401

Desastres naturais levam anualmente 26 milhões de pessoas à pobreza

Desastres naturais levam anualmente 26 milhões de pessoas à pobreza

Os desastres representam uma ameaça crescente, afetando mais pessoas e causando mais danos do que nunca. O impacto dos desastres é especialmente devastador em países com altos níveis de pobreza material: os Países Menos Desenvolvidos representaram 40% de todas as mortes resultantes de ameaças naturais entre 2000 e 2010, apesar de abrigarem somente 12% da população global. Segundo relatório publicado hoje (14) pelo Banco Mundial os desastres naturais atiram para a pobreza 26 milhões de pessoas todos os anos e provocam perdas anuais de 520 mil milhões de dólares no consumo, revela .

Intitulado “Inquebrável: Construir a Resiliência dos Pobres Perante Desastres Naturais”, o relatório do Banco Mundial e da Instituição Global para a Redução de Desastres e Recuperação (GFDRR) avisa que o impacto humano e econômico dos fenômenos climáticos extremos é muito mais devastador do que se pensava.

“Os choques climáticos severos ameaçam fazer reverter décadas de progressos contra a pobreza”, disse o presidente do Grupo Banco Mundial, Jim Yong Kim, citado em um comunicado da instituição.” As tempestades, as inundações e as secas têm graves consequências humanas e econômicas, com os pobres pagando, muitas vezes, o preço mais elevado. Construir resiliência aos desastres não só faz sentido em termos econômicos, como é um imperativo moral”, acrescentou.

O relatório analisa os efeitos dos fenômenos climáticos extremos em duas medidas: as perdas patrimoniais e as perdas no bem-estar, o que permite avaliar melhor os danos para os pobres, já que “perdas de um dólar não significam o mesmo para uma pessoa rica do que para uma pessoa pobre”. Em todos os 117 países estudados, escrevem os autores, o efeito dos extremos climáticos no bem-estar, medido em perdas no consumo, é maior do que nas perdas patrimoniais.

Uma vez que os efeitos dos desastres naturais afetam desproporcionadamente os pobres, que têm uma capacidade limitada para lidar com eles, o relatório estima que o impacto no bem-estar nesses países seja equivalente a perdas no consumo de 520 mil milhões de dólares por ano. A estimativa ultrapassa todas as previsões anteriores em até 60%.

Os investigadores exemplificam que, se fosse possível evitar todos os desastres naturais em oito países estudados, o número de pessoas na pobreza extrema – que vivem com menos de um dólar por dia – cairia em 26 milhões. Divulgado durante a conferência do clima da ONU (COP22), a decorrer em Marraquexe até dia 18, o relatório sublinha a urgência da adoção de políticas inteligentes em termos climáticos, para melhor proteger os mais vulneráveis.

Os pobres estão tipicamente mais expostos aos desastres naturais, perdendo mais na proporção da sua riqueza, e muitas vezes não têm apoios, seja da família, dos sistemas financeiros ou dos governos. O relatório do BM usa um novo método para medir os danos dos desastres, contabilizando o peso desigual dos desastres naturais nos pobres.

Os autores exemplificam que o ciclone Nargis, que afetou a Birmânia (Myanmar), em 2008, forçou até metade dos agricultores do país a vender propriedades, incluindo terra, para aliviar o peso da dívida que contraíram devido ao desastre. As repercussões econômicas e sociais do Nargis serão sentidas por gerações, alertam.

O relatório avalia, pela primeira vez, os benefícios de intervenções que permitam aumentar a resiliência nos países estudados, incluindo sistemas de alerta, acesso melhorado à banca pessoal, políticas de seguros, e sistemas de proteção social que permitam ajudar as pessoas a responder e a recuperar melhor dos choques.

Combinadas, estas medidas ajudariam os países e as comunidades a pouparem 100 mil milhões de dólares por ano e a reduzirem o impacto dos desastres no bem-estar em 20%. “Os países enfrentam um número crescente de choques inesperados como resultado das alterações climáticas”, disse Stephane Hallegatte, economista da GFDRR, acrescentando que “os pobres precisam de proteção social e financeira contra os desastres que não podem ser evitados”. “Com as políticas que sabemos serem eficazes, temos a oportunidade de evitar que milhões de pessoas caiam na pobreza”, concluiu.

(Com informações da Agência Lusa)

Prevenindo a minimizando desastres

A Tearfund não acredita que os desastres sejam uma questão “humanitária” que pode ser separada do trabalho de desenvolvimento. A pobreza enraizada é tanto uma causa quanto uma consequência dos desastres: décadas de vitórias graduais contra a pobreza podem ser facilmente anuladas num único evento catastrófico.

Se quisermos seriamente transformar vidas, a saúde, os meios de sustento e a infraestrutura das comunidades vulneráveis, é necessária uma abordagem abrangente que integre o alívio da pobreza a planos para uma resposta eficaz aos desastres e à redução do risco de desastres de longo prazo.

Nosso trabalho de resposta aos desastres abrange vários países pobres e vulneráveis. Em parceria com as igrejas locais, temos feito a diferença tanto no âmbito da prevenção quanto na resposta emergencial a situações de desastres. Como resultado, muitas vidas têm sido poupadas e milhares de histórias vêm sendo transformadas. Você pode ser nosso parceiro nessa empreitada. Conheça nossos projetos no Brasil e DOE AGORA. 

Nossos Recursos 

O manual Os desastres e a igreja local (PDF 4.5 MB), é um guia prático para os líderes de igrejas em áreas onde os desastres são comuns e os quais podem se encontrar imersos numa crise, seja uma inundação ou um vendaval, uma seca ou um terremoto. Baixe de graça.

Leave a Reply