| | | 55 31 3568-1401

Conheça a incrível história de Cally Magalhães

Conheça a incrível história de Cally Magalhães

Como você ajuda criminosos violentos a abandonarem seus velhos hábitos? Cally Magalhães encontrou uma resposta surpreendente nas ruas e prisões de São Paulo

Quando Cally Magalhães veio pela primeira vez ao Brasil em 1998 para trabalhar com crianças de rua, ela não tinha idéia de quão útil sua antiga profissão como atriz e professora de artes dramáticas viria a ser. Ela começou a trabalhar em São Paulo em 1998, depois de ler um artigo sobre a situação das crianças de rua alguns anos antes.”Nesta época, tudo o que eu sabia dizer em português era: Meu nome é Cally, onde é o banheiro?”, lembra Cally.  Complementando: “Eu ia a pé para a favela na parte da manhã e via cadáveres no chão. Mas eu ainda tinha essa incrível sensação de paz, sem nenhum medo”.

Cally conheceu seu marido George e eles formaram uma parceria formidável, trabalhando com os jovens que o resto da sociedade decidiu excluir. De tão marginalizados, era comum que os meninos de rua fossem espancados pela polícia.

Quando a ficha cai

A vida nas ruas de São Paulo muitas vezes significa uma vida de crime. Cally e George começaram a trabalhar com as crianças atrás das grades tentando mudar suas vidas. Mas sem perspectivas, não demorou muito para que a maioria delas reincidisse no crime ao sair da prisão.

A resposta veio quando Cally colocou suas antigas habilidades dramáticas em ação e começou a ministrar cursos em psicodrama para os jovens. Ela os ensinava a protagonizar cenas de conflito e criminalidade garantindo que eles vivenciassem o papel de agressores, mas também de vítimas.

“Dois dos rapazes encenaram um assalto à mão armada. Um garoto fez o papel do motorista de ônibus e outros dois de ladrões. Quando deram início ao assalto eles atiraram no motorista de ônibus. Eu estava na platéia assistindo e então me levantei e fiz o papel da mulher que recebe a notícia de que seu marido, motorista de ônibus, fora assassinado. Por ser uma atriz profissional eu pude fazê-lo de forma muito convincente”, conta Cally.

Ela lembra que quando a cena terminou o grupo discutiu como a dramatização os afetara. “O rapaz que tinha sido baleado como condutor de ônibus sentou-se em silêncio olhando para a frente.Depois de pensar por um tempo ele falou: “Eu machuquei tantas pessoas e nunca percebi as consequências do que fiz. Toda vez que eu matei alguém ou fiz algo ruim, havia parentes envolvidos. Agora eu percebo que cada pessoa que eu matei era um marido, um pai, um filho, um irmão …”.

“A ficha tinha finalmente caído para ele”, conclui Cally.

Parece que o poder de “caminhar uma milha nos sapatos de um outro homem”é suficiente para muitos dos jovens repensarem suas vidas. Aqueles que completaram dez sessões de psicodrama tiveram uma taxa de reincidência de menos de 20% em comparação com mais de 80% antes.

Leave a Reply