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Confrontar a pobreza

Confrontar a pobreza

Em diversas partes da Bíblia, podemos observar a prioridade dada por Deus em assegurar que as pessoas pobres e marginalizadas sejam cuidadas e incluídas. Ao longo da história, encontramos testemunhos e exemplos maravilhosos de cuidado sacrificial sendo oferecido a diferentes comunidades, muitas vezes em regiões bem inacessíveis e inseguras ao redor do mundo. Nós nos alegramos com o fato de que os cristãos são conhecidos e respeitados por responderem com compaixão. Na Miqueias, somos privilegiados por termos a oportunidade de trabalhar em rede e de aprender boas práticas uns com os outros ao respondermos com compaixão. Todas essas expressões de amor e atenção são essenciais.

Por mais de 20 anos em meu ministério, concentrei-me em responder à pobreza com compaixão, na linha de frente, e em prestar assistência emergencial em situações de desastre, procurando salvar vidas. Em todas as iniciativas de assistência para a promoção do desenvolvimento, procuramos solucionar, ou pelo menos diminuir, os problemas enfrentados pelas comunidades. Havia tanto a ser feito e a necessidade era tão grande que quase não tínhamos tempo para considerar se existiam abordagens alternativas. A prestação de assistência em resposta a desastres era, naturalmente, algo necessário, urgente, que interrompia o ciclo vicioso da morte e promovia a sobrevivência. Os profissionais do setor humanitário reconheceram a necessidade de dedicarem-se à diminuição do impacto dos desastres e desenvolverem iniciativas sustentáveis que aumentassem a capacidade das comunidades e, assim, se tornassem mais resilientes. Muitas dessas abordagens causaram impactos impressionantes, apesar de terem estado sujeitas à natureza complexa da pobreza que, frequentemente, estava enraizada no contexto socioeconômico mais amplo e em suas estruturas de poder provenientes de sistemas injustos, controlados por líderes corruptos cujos interesses estavam permeados pelo interesse próprio.

Como respondemos a isso?

O Antigo Testamento nos dá alguns exemplos importantes:

  1. A história de Êxodo: Deus ouviu o clamor da injustiça e da angústia e enviou socorro. O primeiro passo foi a libertação da escravidão política, econômica, social e espiritual. Em seguida, veio a reconciliação com Deus e a restauração em uma terra prometida onde esperava-se viver em completa plenitude. A libertação não foi concedida apenas para aliviar a pobreza e acabar com a injustiça. Foi para permitir que as pessoas adorassem a Deus. Se achamos que adoração é algo que se faz dentro do templo de uma igreja, levantando-se as mãos enquanto cantamos louvores, não parece estranho que Deus tenha feito tal intervenção para obter um resultado como aquele? A Bíblia nos explica o que é a verdadeira adoração — viver uma vida digna do nosso chamado por meio da prática da justiça, amando a fidelidade e andando humildemente. Em outras palavras, uma forma de adoração está sendo aplicada para que uma sociedade justa seja formada e honre a Deus.
  2. O Jubileu foi criado para ser um recomeço — uma oportunidade para libertar escravos, cancelar dívidas e devolver a propriedade da terra para que um novo começo fosse possível. É uma abordagem integrada de libertação, restauração e reconciliação.

O Novo Testamento combina essas duas abordagens de libertação em Cristo. Sua vida, morte e ressurreição dão lugar para uma nova humanidade — um novo Reino. Somos chamados para demonstrar, de maneira encarnacional, esta nova e incrível vida em palavras e ações, em todas as comunidades e em todas as nações. Isso significa que não mais simplesmente planejamos diminuir a pobreza; vamos ainda mais adiante, procurando libertar, restaurar e reconciliar comunidades. Isso requer levar cura e criar condições para que a humanidade e a Criação possam florescer. Estamos em busca de Shalom — vida em toda a sua plenitude — e isso é muito mais do que atender às necessidades básicas. Isso inclui justiça, segurança e proteção, ser benção, ter integridade e compaixão uns pelos outros, e reconciliação com o Rei dos Reis.

Este processo de busca de Shalom é chamado por nós de Missão Integral. Estar em Cristo influencia tudo o que fazemos e dizemos e a transformação é alcançada pelo fato do Espírito de Deus estar operando em nós e por nosso meio.

Isto é algo inspirador e a Miqueias procura criar espaços e oportunidades para que aprendamos a fazer isso de uma melhor forma e para que possamos agir juntos, confrontando e lidando com questões como a pobreza. Juntos, enfrentamos questões de injustiça e sistemas que precisam ser transformados. Obrigada por caminhar conosco.

Graça e paz.

Sheryl Haw
Diretora Internacional

(Extraído do boletim de notícias de Miqueias do mês de maio de 2018)

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