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Campina Grande recebe Encontro anual de Parceiros da Tearfund

Campina Grande recebe Encontro anual de Parceiros da Tearfund

A Tearfund promoveu, entre os dias 03 a 07 de outubro, no município de Campina Grande (PB), a edição anual do seu Encontro de Parceiros Nacionais (EP2016). Realizado no salão de eventos do Centro Diocesano do Tambor, o EP 2016 reuniu cerca de 50 representantes de organizações e redes apoiadas pela Tearfund no Brasil. Durante cinco dias, discutiu-se questões relacionadas ao meio ambiente – com enfoque especial no semiárido – gênero, violência doméstica, juventude negra, lutas e direitos indígenas, Encontro Lausanne Jovem, economia restauradora e mudanças climáticas. Também integraram a programação: palestras, oficinas, painéis, relatos de experiências, testemunhos e casos de vida.

Participaram do EP2016 a Rede Evangélica Nacional de Ação Social (RENAS), Federação das Entidades e Projetos Assistenciais da CIBI – Convenção das Igrejas Batistas Independentes (Fepas), Ação Evangélica (ACEV), Instituto Solidare, Diaconia, Aliança Bíblica Universitária (ABUB), Asas do Socorro, dentre outros parceiros e convidados.

O primeiro dia foi inteiramente dedicado à palestras e relatos práticos de experiências envolvendo a metodologia Umoja. Para saber mais a respeito do assunto, baixe nossos manuais de facilitação Umoja através do link.

Dia 04

Na manhã da terça-feira, (04), Arturo Menezes deu início ao curso de liderança transformissional e apresentou os princípios bíblicos de liderança, citando como exemplo o ministério de Jesus. “A bíblia não faz a distinção entre liderança e ministério, embora a cultura e a prática tenham essa tendência. A bíblia nos fala do estilo de vida de Jesus como um modelo de vida”.  Menezes disse ainda que o fracasso da liderança eclesiástica na atualidade não se deve à falta de treinamento de líderes, mas sim às falhas no discipulado.

“Nunca se desenvolveu um paradigma da integralidade da liderança. A espiritualidade e a missão são de caráter integral, então precisamos falar de missão sob essa perspectiva. A bíblia fala que todos somos líderes segundo a doutrina do sacerdócio universal de Cristo, então a proposta não é criar seguidores, e sim mais líderes. A maior necessidade da igreja hoje é a liderança. Quando o líder cristão deixa de se tornar o tipo de líder que Deus planejou para ele ou ela, todos perdemos a grande oportunidade de desfrutar do seu dom divino”.

Na segunda parte da manhã a pesquisadora do Instituto Nacional do Semiárido, drª Alana Coutinho, explicou o conceito de Células de Pressão Científica e discorreu sobre a temática da segurança hídrica. Ao abordar a questão da estiagem no sertão nordestino, Coutinho asseverou que a problemática da seca está na gestão, e não na falta de chuvas. “Temos um semiárido chuvoso e temos capacidade de convivência. A questão é: como fazer essa gestão? Os agricultores têm métodos de conviver com a seca!”.

Na parte da tarde Edna Andrade e Ita Porto relataram experiências de inclusão produtiva da Diaconia envolvendo comunidades quilombolas. Na sequência, o pastor Luiz de Jesus, da Comunhão Batista na Zona Sul em São Paulo, apresentou dois projetos de inclusão produtiva que têm ajudado mulheres e jovens da comunidade a se engajarem no mercado de trabalho: Empreafro e Mulheres de Mão Cheia. Nesta mesma tarde Evandro Alves apresentou o trabalho de formação eclesiástica e política realizado pelo Instituto Solidare e relatou alguns frutos que já vêm sido colhidos por meio do Projeto Seleta.

Dia 05

A manhã da quarta-feira, 05 de outubro, teve início com um estudo bíblico feito pelo pastor Luciano Batista sobre Economia Restauradora. Em seguida, Kezzia Cristina e Risoneide Lima, da Diaconia, falaram sobre Violência de Gênero. Ao citar as estatísticas que envolvem vítimas da violência doméstica no Brasil, Kezzia Cristina pontuou que a violência de gênero acontece em todas as classes sociais, faixas etárias e regiões do Brasil e que são vários os fatores que impedem que essas mulheres saiam do ciclo da violência, dentre eles a própria religião. “Precisamos trazer essa discussão para dentro das igrejas porque carecemos de uma leitura e de uma hermenêutica contextualizada para que a Bíblia não ocupe esse lugar de violadora de direitos”, ressaltou.

À tarde, André Guimarães, sob o tema: “Juventude negra, violência e igreja”, apresentou estatísticas referentes ao mapa da violência no Brasil e instigou uma reflexão acerca das razões pelas quais os jovens negros vêm sofrendo uma política de extermínio por parte do Estado. Guimarães denunciou que esses jovens também vêm sendo massacrados dentro da própria igreja. “Não tem espaço pra eles nem nos nossos cultos. Todo jovem preto é um potencial suspeito”, lamentou. Complementando:  “Vamos esperar mais o que acontecer? Quantos irmãos e irmãs já perderam jovens pretos por causa da violência? Igreja, onde estás?”.

Dia 06

Na manhã da quinta-feira, 06 de outubro, o pastor José Marcos conduziu a reflexão bíblica abordando o tema da Economia Restauradora à luz da temática do Jubileu. Ao explicar o conceito bíblico do Jubileu a partir da ideia cronológica do sábado, o pastor enfatizou o cuidado de Deus com os oprimidos relatado em todo o Antigo Testamento.

“O que isso tem a ver com a gente hoje?”, indagou. Segundo dados apresentados pelo pastor José Marcos,  2016 é o ano da história da humanidade em que a parcela 1% mais rica da população tem a mesma quantidade de riqueza que o restante e que 80% das pessoas mais ricas do mundo têm juntas a mesma quantidade que 3.6 bilhões de pessoas.  “A terra está precisando reinterpretar a filosofia sabática à luz da sua origem de maneira que a nossa relação com Deus tenha de ser tão transparente, tão clara à luz do plano original que isso permeie as relações da gente com todas as outras coisas, especialmente da economia porque toda a raiz da injustiça visível nasce da questão econômica”, enfatizou.

Nesta mesma manhã, o pastor Jader Terena relatou a história do encontro entre os primeiros missionários europeus com a nação Terena, e de como esse encontro foi um divisor de águas na história destes indígenas. “Hoje, onde você encontrar um terena ele sabe o que é evangelho e o que é escola. Em 2 de abril de 1972 foi fundada a Missão Indígena Uniedas. Os missionários apostaram em nós. Nós não sabíamos tudo, erramos muito, mas Deus foi nos agraciando ao longo dos anos”, comemorou.

Todavia, apesar do árduo trabalho de formação de liderança e evangelização realizado pela Missão Indígena Uniedas, a parceria com igrejas e agências missionárias não indígenas ainda é um grande desafio. “O nosso maior interesse é continuar pregando o evangelho para o nosso povo indígena. A sede do evangelho é algo fantástico em meio ao povo indígena. A presença do Senhor em determinados momentos na comunidade indígena está bem viva. Mas precisamos romper algumas barreiras dentro do nosso próprio país no que diz respeito à evangelização missionária, principalmente indígena. As missões indígenas têm sido feitas nos últimos 30 anos repetidamente em lugares que já estão estabelecidos”, lamentou.

No período da tarde foi realizado um Painel de Experiências de Capacitação e Liderança Transformissional do Sertão pelo pastor Lindon Carlos da Acev. Na sequência, Eloisa Andrade da Fepas relatou experiências de grupos que se utilizaram da metolodia Umoja. Logo depois Eunice Bueno apresentou o projeto de Asas do Socorro “Água Viva para os Curumim”.  Junior Caires relatou empreendimentos inovadores com bioconconstrução. Leandro Virgínio e Matheus Silva encerraramm a tarde da quinta-feira, 06, com um relato sobre o Encontro de Líderes jovens de Lausanne, realizado entre os dias 03 e 10 de agosto em Jacarta, Indonésia.

Dia 07

O último dia do Encontro foi dedicado à atualização dos procedimentos, propostas e relatórios envolvendo parceiros da Tearfund, conduzida pelo representante da organização no Brasil, Serguem Silva e pela oficial de projetos, Priscilla Souza.

 

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