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Ame a sua cidade

Ame a sua cidade

Bem no centro do bairro das luzes vermelhas — uma região turística e de prostituição de Amsterdã — encontra-se um enorme prédio antigo de uma igreja, o mais antigo da cidade. A primeira igreja construída naquele local, em 1213, era católica. Durante o período da reforma, ela passou a fazer parte da Igreja Reformada Calvinista Holandesa. A história daquela igreja está intimamente relacionada com a história de Amsterdã. Infelizmente, aquela igreja não tolerava as pessoas pobres, necessitadas e desabrigadas. Elas eram forçadas a sair da igreja e proibidas de voltar a entrar.

Nos dias de hoje, todos os guias turísticos do bairro das luzes vermelhas incluem uma visita a essa igreja para que possam mostrar as obras de arte e os túmulos de pessoas famosas, e para explicarem  que mais de 12 mil moradores de Amsterdã foram enterrados naquele local. No bairro há lojas que vendem maconha, cafeterias que oferecem cogumelos mágicos (com propriedade alucinógenas), bordéis onde mulheres se exibem em vitrines e convidam as pessoas a entrarem, sex shops, cinemas que mostram filmes pornográficos e até mesmo um prédio conhecido como a Igreja Sombria de Satanás.

Que impacto essa igreja teve naquela cidade?

O sociólogo espanhol Manuel Castells escreveu o seguinte: “O destino da humanidade está sendo demonstrado nos centros urbanos e, especialmente, nas grandes metrópoles.” Sem dúvida, e cada vez mais, as cidades estão se transformando em lugares de disputa onde compete-se por espaço, status e poder, e onde a identidade é desafiada por interesses econômicos, políticos, sociais e religiosos. É essencial que todos nós tenhamos as missões urbanas em mente e nos envolvamos com elas. A urbanização chegou a um novo patamar; a maioria da população mundial atualmente vive em cidades que crescem desordenadamente, em busca de refúgio e bem-estar econômico e social, mas, frequentemente, acaba enfrentando exclusão, exploração, falta de abrigo e depressão. Os problemas de saúde mental são cada vez mais frequentes, e o descontentamento causado pelas crescentes taxas de desemprego, especialmente entre as gerações mais jovens, é como um barril de pólvora que está prestes a explodir.

É por isso que a Miqueias escolheu a importante temática do Shalom Urbano, incentivando a todos a se envolverem com ela, usando os dons e as experiências de todos nós, o que nos possibilita promover a transformação das nossas cidades e, assim, as nossas comunidades possam viver em completa plenitude, livres da pobreza, da injustiça e dos conflitos.

No encontro de coordenadores da Miqueias na África, realizado recentemente no Quênia, André van Eymeren, da Urban Shalom Society, nos incentivou a passar a conhecer as nossas cidades utilizando uma abordagem de avaliação apreciativa, tendo descrito seus benefícios potenciais. Chegamos a nos atrever a imaginar como seria a vida se Deus reinasse em cada comunidade e se a igreja realmente fosse sal e luz. A tarefa é enorme, mas não impossível. Em seu cerne está o chamado para sermos incarnacionais, vivendo nas comunidades que compõem as nossas cidades, demonstrando a nova humanidade que foi revelada por meio da morte de Cristo. Isso inclui o combate à injustiça social, bem como a promoção do cuidado do meio ambiente e o compromisso em cuidar das pessoas vulneráveis, possibilitando o acesso a serviços essenciais, incentivando a criação de empregos, lidando com deficiências estruturais, garantindo que existam espaços sadios onde as pessoas possam florescer, lidar com guerras espirituais, promover o discipulado das comunidades, a mobilização das igrejas e a abordagem de missão integral no compartilhamento das Boas Novas.

O que cada um de nós pode fazer para alcançar isto?

  1. Ame a sua cidade: precisamos passar a conhecer as nossas cidades para que possamos imaginar como elas poderiam ser e começar a orar pela sua transformação.
  2. Seja parte da solução: a oração conduz à ação e precisamos discernir como podemos nos envolver na transformação das nossas cidades. Poderá ser por meio da formação de um grupo que comece a lidar com questões preocupantes. Poderá ser simplesmente apenas no entorno da sua própria igreja local.
  3. Passe a ser um agente de transformação: comece a identificar oportunidades para convidar outras pessoas para se envolverem e, assim, caminharem juntas rumo ao Shalom urbano!
Compartilhe suas histórias sobre a sua cidade conosco, bem como sugestões de mudanças, exemplos de boas práticas e desafios enfrentados. Aproveitemos nossos contatos e conhecimentos para causarmos um impacto positivo em nossas cidades.

Sheryl Haw
Diretora Internacional

(Extraído do boletim de notícias Miqueias de abril de 2019)

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