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A ação climática é nosso mandato

A ação climática é nosso mandato

As coisas mudaram. Faz muito mais calor. Já não sabemos quando vai chover. Os riachos secaram. As florestas deram lugar para estradas e, em vez de árvores, agora temos selvas de concreto.

Estas são apenas algumas das coisas que ouvimos quando realizamos oficinas sobre Cuidado pela Criação e pedimos às pessoas que reflitam sobre as mudanças que ocorrem em meio ambiente em que vivem.

Nem sequer uma vez ouvi alguém dizer que houve mudanças para melhor. Ninguém discute seriamente a ciência relacionada a isso e, tão pouco, negamos que estas mudanças estejam acontecendo. Estas mudanças são verdadeiras e devastadoras. No entanto, também é verdade que, para muitos de nós, fatores como a mudança climática são, por enquanto, apenas inconveniências. Quando faz muito calor, simplesmente colocamos mais aparelhos de ar condicionado em nossas casas e escritórios, deixando-os ligados pelo tempo necessário. Quando faz muito frio, encontramos formas de aquecer melhor as nossas casas. Passamos, também, a viajar em carros com ar condicionado, protegendo-nos das condições climáticas extremas e da poluição. Enquanto alguns discutem se a mudança climática está ou não ocorrendo e lidam com suas inconveniências, muitos outros morrem por conta dela.

A mudança climática está ocorrendo, é verdadeira e está causando morte e destruição. Isto faz com que a vida de muitos seja mais difícil, tal como foi comprovado por meio do aumento no número de suicídios entre agricultores na Índia – um exemplo citado neste artigo. “De acordo com os dados que foram coletados durante mais de uma década, cerca de 45 agricultores por dia, em média, cometeram suicídio na Índia. O Departamento Nacional de Registro de Crimes começou a registrar o número de casos de suicídio entre agricultores em 1995. Os dados coletados entre 1995 e 2010 mostram que 256.913 agricultores se suicidaram”.

Embora a degradação ambiental e o uso indevido de fertilizantes químicos tenham causado grande parte da devastação para os agricultores, é relatado que a mudança climática acabou sendo a gota d’água. Eventos climáticos extremos, tais como enchentes, que ocorrem com cada vez mais frequência, causaram perdas enormes para os agricultores. Monções imprevisíveis que chegaram cedo ou tarde demais afetaram consistentemente a produção. Uma inconveniência para alguns é uma sentença de morte para muitos, especialmente para as pessoas pobres.

Todos os anos, a Organização das Nações Unidas organiza uma conferência sobre mudança climática. Líderes de diferentes países se reúnem, atrás de portas fechadas, para negociar, debater e decidir sobre o que seus países se comprometerão ou não a fazer para lidar com o crescente problema da mudança climática na chamada Conferência das Partes. Milhares de pessoas participam de eventos paralelos, discutindo sobre como se pode tomar melhor cuidado do meio ambiente. Agir a favor do clima é uma responsabilidade de todos nós – pleiteando junto aos líderes mundiais, às comunidades e a cada pessoa para que tomem as medidas necessárias.

Sejam quais forem as discussões sobre mudança climática, independentemente de quanta apatia sentimos em relação a enfrentá-la, não deveríamos lidar com esta questão simplesmente porque a Bíblia fala sobre a necessidade de cuidarmos da Criação e também por conta do impacto da mudança climática e de seus efeitos na vida das pessoas mais pobres (colheitas ruins, desastres etc.)? As vozes mais fortes nestes grandes encontros não costumam ser as dos cristãos. Que tal se nós, como pessoas responsáveis por cuidar da Criação de Deus, nos informássemos, nos envolvêssemos e nos desafiássemos a tomar medidas e a reconhecer que a mudança climática é importante, para nós e para Deus?

Kuki Rokhum
Diretor de Treinamento e Mobilização – Eficor

(Extraído do boletim de notícias de Miqueias do mês de junho de 2019)

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